Posts Tagged ‘eleições’

TSE autoriza envio de Forças Armadas se Rio pedir,

agosto 15, 2008

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) decidiram nesta noite que o presidente da Corte, ministro Carlos Ayres Britto, deverá intensificar os trâmites burocráticos para que forças federais de segurança atuem nas eleições do Rio de Janeiro. Na prática, eles deram a Britto carta branca para acertar com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o envio de tropas das Forças Armadas, se o pedido for feito pelo governador fluminense, Sérgio Cabral. O governador já se declarou publicamente favorável ao auxílio.

O reforço da estrutura de segurança do Rio de Janeiro começou a ser debatido com o objetivo de neutralizar a influência direta de milícias ou traficantes no processo eleitoral. Em comunidades da cidade dominadas por esses grupos, apenas candidatos com apoio dos criminosos fazem campanha livremente. Outros candidatos e jornalistas chegaram a ser ameaçados ao passarem por esses locais.

A assessoria do TSE informou que a solicitação de auxílio das Forças Armadas já foi prontamente atendida pelo Ministério da Defesa em eleições anteriores. Em 2006, as tropas atuaram em 142 municípios.

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Cabeça do Eleitor

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ELEIÇÕES 2008!

março 12, 2008

A TV Globo inaugurou eleições atrás, um procedimento típico da BBC do Reino Unido. A partir de 5 de julho os candidatos tinham um tempo exatamente igual para responder diariamente às perguntas. Mas ontem o RJ-TV resolveu mudar o estilo e dar um tempo para um pré-candidato expor até programa de governo. Os demais ficaram com a lei do ministro Armando Falcão do período autoritário: fotos e nada mais. Começou muito mal a TV Globo a cobertura da campanha de 2008. Todos esperam que volte a fazer a cobertura “BBCniana” de outras eleições. Isso não ajuda a democracia nem a imagem da emissora.

A CPI DA “CARTONAGEM”!

fevereiro 29, 2008

A oposição não deve ficar minimamente preocupada com a enrolação do PT para abrir a CPI da “cartonagem”. A lógica do PT é a tradicional: ganhe tempo, com isso saindo das manchetes e todo mundo esquece. Só que quanto mais próximo das eleições essa CPI funcionar, pior para o PT. Quanto mais atrasar, mais a memória ficará próxima do eleitor e menor ainda a possibilidade costumeira no PT, de transferir para os outros seus pecados. Quem perde politicamente com o atraso, é o PT.

A IMPORTÂNCIA DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS!

janeiro 21, 2008

 O calendário eleitoral brasileiro -eleições gerais de dois em dois anos- constrói, como em nenhum outro país, uma rede de dependências, entre as eleições gerais municipais e as gerais, estaduais/federais. Curiosamente, a relação de determinação entre uma e outra, é mais forte desde as eleições municipais em direção às estaduais/federais.

 Isso ocorre em função da inorganicidade partidária brasileira e do sistema eleitoral de voto proporcional aberto. Essa combinação transforma cada parlamentar -em qualquer nível- em uma espécie de partido unitário. Desta forma, se no exercício do mandato os parlamentares podem ser temáticos, corporativos, especialistas… – na busca do mandato, cada vez menos existem parlamentares que são eleitos pela opinião publica. Na Câmara de Deputados, não são 10 de 513. A busca do voto é capilar, regional, de prestação de serviço, de clientela…

 Com isso -sendo a força do voto, individual- serão os vereadores e prefeitos eleitos, os que darão lastro aos deputados estaduais e federais, senadores e governadores, nas eleições seguintes. E as eleições municipais tornam-se paradoxais. De um lado são de caráter local. De outro, impulsionam os deputados, senadores e governos, que apóiam.

 Uma conseqüência  é que a base parlamentar do presidente da republica -costurada a golpes de clientela- naturalmente se dissolve durante as eleições municipais. Depois delas restam as mágoas e queixas. E a cicatrização não é imediata. Por isso mesmo, poder-se-ia dizer que o governo federal fica sem base parlamentar, de julho de um ano -no caso 2008- a julho do ano seguinte – de 2009.

 Mesmo sem primárias no Brasil, esse processo exige a antecipação da campanha. Paul Lazarsfeld construtor da metodologia de medição de opinião política e eleitoral ainda nos anos 30,  dizia que o processo eleitoral tem duas fases: a pré-campanha e a campanha. E comparava com a fotografia de sua época. Na pré-campanha se clica e se impregna a imagem no celulóide. Na campanha, se revela a foto na câmara escura. Sem pré-campanha não há imagem a revelar.

 As primarias nos EUA resolvem isso organicamente. Mas aqui, a pré-campanha é o período da costura de apoios e alianças, entre políticos individualmente. O voto proporcional aberto, como é aqui, tem como conseqüência uma taxa espantosa de renovação das casas legislativas -em torno de 50%. A conseqüência é a ansiedade e  o estresse, neste período. Às vezes isso é visível. Outras vezes ocorre fora dos holofotes da imprensa.  Mas inevitavelmente ocorre.

 Essa dinâmica gera fatos, e a imprensa vai atrás em busca de noticias, e termina se envolvendo precocemente com um processo eleitoral que ainda está numa fase embrionária, individual e anárquica. Esta cobertura acelera o amadurecimento desta fase, porém produzindo uma enorme confusão, pois as costuras mais ou menos individuais, estão ainda sendo tecidas. E uma ação ainda não se articulou horizontalmente com outra, e assim em vez de se ter a cobertura de um ponto político costurado, se dá um nó com a cobertura, prejudicando indistintamente partidos e políticos divergentes. É isso o que começa a ocorrer desde já em janeiro de 2008.